Os sistemas de descarga são parte integrante dos sistemas hidráulicos e têm por objetivo fornecer água com volume e energia adequados para a remoção e o transporte dos dejetos das bacias para os ramais de esgoto, bem como para a reposição do fecho hídrico que evita o retorno de odores ao ambiente. Em relação à remoção, é necessário que a quantidade de água acionada leve os dejetos até a rede de esgoto, sem, contudo, tornar o consumo de água por demais oneroso.

Já o fecho hídrico precisa repor a quantidade de água limpa no fundo da bacia, que impede o retorno dos gases da tubulação de esgoto e trazem mau cheiro e germes. Muitos atribuem aos sistemas de descarga o elevado consumo de água em residências. Avaliar o consumo e o desempenho de um sistema de descarga se revela, contudo, complicado, uma vez que, ao contrário de um eletrodoméstico, os mecanismos de descarga têm seu desempenho influenciado pela instalação predial, que pode interferir no volume e na vazão da água.

Assim, sistemas de descargas idênticos podem apresentar desempenho diferente, em função, por exemplo, da quantidade de curvas na tubulação ou de declives no canal de esgoto, já que os dejetos saem para o canal principal do esgoto sanitário por gravidade. Não obstante, as normas brasileiras possuem requisitos mínimos para as duas situações, de alta e baixa pressão, que precisam ser atendidos para que se tenha um desempenho satisfatório.

São comercializados no país tipos distintos de mecanismos de descarga, cada um com uma instalação e um funcionamento diferente. As válvulas de descarga não possuem reservatório para água e são acopladas diretamente na tubulação, o que torna o seu desempenho mais sujeito às condições de instalação das tubulações. Seu uso pode ser concomitante a qualquer modelo de bacia, uma vez que é possível regular a energia da descarga na própria válvula. Para tanto, é importante a consulta às instruções do fabricante que precisam acompanhar o produto.

As caixas de descarga, outro mecanismo de descarga, podem ser de dois tipos: aquelas com caixa acoplada e as não acopladas. Ambas as caixas funcionam como reservatórios para a água a ser utilizada na descarga. No primeiro caso, a caixa é acoplada à parte traseira da bacia, o que requer uma bacia específica.

As caixas e bacias, neste caso, são comercializadas em conjunto. Já no caso das caixas não acopladas, esta é fixada na parede em altura superior à bacia, podendo ser utilizada uma bacia convencional qualquer. Além disso, as características das bacias sanitárias também podem interferir no sistema de descarga.

Por este motivo, assume-se que as bacias devem cumprir com as funções de remoção dos dejetos líquidos e sólidos, a troca da água após a descarga, a limpeza das paredes e o impedimento do retorno de odores e de respingos de água. Elas devem, igualmente, consumir um volume de água adequado, não sendo necessário o uso exagerado do mecanismo de descarga.

No contexto da grande preocupação mundial sobre a escassez da água, várias soluções têm sido estudadas. A maioria é buscar formas de uso racional da água no cotidiano de cada cidadão. A água é um recurso natural precioso que vem cada vez mais sendo estuda da nas últimas décadas. O uso racional da água e o combate ao seu desperdício são hoje uma preocupação mundial.

Alguns estudos de instituições internacionais estimam que, até 2025, um terço da população mundial experimentará efeitos extremos de escassez de água. Com a preocupação e agravamento de falta de água, as pessoas devem assumir uma nova forma de pensar e agir, mudando seus hábitos e desenvolvendo formas de economizar água.

Dessa forma, todo o esforço dos fabricantes de bacias sanitárias foi diminuir os impactos ambientais causados por produtos não normalizados. Direcionou-se um estudo para avaliar o comportamento do conjunto bacia sanitária e sistema de descarga em condições usuais de útil inação e o impacto de redução do consumo de água, resultando no advento das bacias sanitárias de volume reduzido de descarga e consequente mudança de paradigma.

Tornou-se necessária uma revisão dos documentos normativos existentes para garantir o bom desempenho do produto e a eficiência na economia de água. O consumo de água deve estar sempre associado ao bom desempenho deste produto e não só ao menor volume de água. Uma bacia sanitária com desempenho insatisfatório não removerá todos os dejetos e será necessário aplicar uma nova descarga.

Para melhorar todo o setor, houve uma revisão normativa realizada nos requisitos e métodos de ensaio, adequando-os ao novo volume racional de descarga das bacias sanitárias. Com isso, ocorreram importantes mudanças no setor de bacias sanitárias.

Uma das mais significativas foi quanto à alteração do volume de descarga utilizado para o funcionamento das bacias sanitárias. Em 1998, as bacias operavam com volume de 12 litros, passando para 9 litros até o ano 2000 e, a partir de 2003, a maioria dos fabricantes adotava as bacias sanitárias que funcionavam com volume reduzido de descarga. Hoje, quase todas as bacias sanitárias convencionais e com caixa acoplada disponíveis no mercado brasileiro funcionam com volume racional de descarga de 6,8 litros.

A NBR 15857 de 09/2011 - Válvula de descarga para limpeza de bacias sanitárias - Requisitos e métodos de ensaioestabelece as condições que devem atender as caixas de descarga destinadas à limpeza de bacias sanitárias fabricadas de material cerâmico. As caixas de descarga (todos os tipos) são classificadas pela posição da sua instalação em relação à bacia sanitária em: acopladas; integradas; convencionais do tipo elevada, externa a parede; a média altura, externa a parede; a média altura, embutida na parede; e baixa, externa a parede.

As caixas de descarga convencionais são classificadas pela forma como se processa a descarga do volume útil em ciclo fixo e ciclo seletivo. São classificadas em função da energia da descarga em: caixa de alta energia; caixa de baixa energia; e caixa de descarga universal. O importante é que essas caixas de descarga de qualquer tipo devem ser projetadas para serem utilizadas com pressão estática máxima de alimentação de água igual a 400 kPa, conforme estabelecido na NBR 5626.

Alguns requisitos precisam ser cumpridos pelos fabricantes, como aquele que determina que nenhum material constituinte da caixa de descarga deve facilitar o desenvolvimento de bactérias ou de qualquer atividade biológica capaz de causar risco a saúde. Os materiais e peças que constituem a caixa de descarga devem ser resistentes à corrosão.

No caso de utilização de vários metais, deve-se cuidar para não ocorrer a corrosão eletrolítica. O corpo e a tampa das caixas de descarga fabricadas em material cerâmico devem obedecer a norma NBR 15097. O corpo e a tampa das caixas de descarga devem ser construídos de forma a obedecer às condições impostas pelos ensaios de resistência a carga estática.

As caixas de descarga devem permitir a manutenção de seus componentes. No caso das caixas de descarga embutidas na parede, a manutenção deve ser possível sem que haja a necessidade de sua remoção do local de instalação, com exceção do mecanismo de descarga das bacias com caixa acoplada por estar conectado ao tubo de descarga ou a bacia sanitária. Deve ter uma tampa removível, protegida contra deslocamentos acidentais como o escorregamento, para evitar acidente com os usuários.

A conexão da caixa de descarga com o tubo de descarga ou com o corpo da bacia, no caso das caixas acopladas, deve ser estanque a água quando do seu funcionamento, conforme a NBR 8133. O nível de entrada de água no extravasor deve estar, no mínimo, 10 mm acima do nível operacional a torneira de boia deve ser construída de modo a possibilitar o ajuste correto do nível operacional, isto é, deve ser dotada de dispositivo de regulagem adequado. Além disso, a caixa de descarga e seus mecanismos não devem oferecer risco de injúria física ao usuário ou ao instalador pela existência de rebarbas, partes pontiagudas ou arestas cortantes.

E o fabricante deve fornecer, junto com a caixa de descarga, instruções, por escrito, sobre o modo correto de instalar a caixa e como proceder as regulagens necessárias, particularmente aquela que permite o ajuste do nível operacional e do repositor do fecho hídrico, para alta ou baixa pressão. Também devem informar sobre a limitação da pressão no ponto de utilização da instalação hidráulica predial que é de 400 kPa.

No caso de caixa de descarga convencional, as instruções devem informar sobre a forma de fazer a instalação correta, alertando sobre a necessidade ou não de entrar ar pelo local onde a saída da caixa é ligada ao tubo, prejudicando ou não o bom funcionamento do produto. As caixas de descarga, de todos os tipos, devem apresentar volume útil igual a 6,8 L, com tolerância de ± 0,30 L, quando ensaiada conforme o procedimento estabelecido no Anexo A.

As caixas acopladas e integradas (avaliadas conjuntamente com as bacias sanitárias) são ensaiadas de acordo com as instruções do fabricante e, nestes casos específicos, o volume útil pode estar compreendido entre 5,8 L e 7,1 L. As caixas convencionais de ciclo seletivo podem apresentar um volume residual de descarga de no máximo 500 ml. Nestes casos específicos, o volume total descarregado deve estar compreendido entre 6,5 L e 7,6 L. Este requisito não se aplica às caixas de descarga acopladas e integradas.

Todos os produtos devem ter uma ou duas marcações de nível operacional (volume útil) para as condições de baixa ou alta pressão, executada de maneira indelével no seu interior, em local facilmente visível, com a tampa removida e com a caixa instalada. Pode não apresentar a marcação do nível operacional desde que conste nas instruções para instalação e operação que a caixa de descarga vem regulada de fábrica e que o usuário não deve proceder a qualquer regulagem. Estas caixas de descarga não devem possibilitar que o usuário proceda a qualquer regulagem do volume útil.

Quando houver um dispositivo para funcionamento contínuo, capaz de acionar a caixa de descarga de modo periódico, automático e regulável (possibilidade de ajuste do tempo de acionamento, do tempo de espera e da força de acionamento), o esforço aplicado no órgão de comando do acionamento deve ser em condições que simulem o uso real da caixa de descarga, sem ocorrência de golpes desnecessários. O dispositivo deve ter meios de contar o número de ciclos de funcionamento que ele provoca, sendo que um ciclo completo se constitui de uma descarga seguida pelo tempo necessário para encher novamente a caixa até o nível operacional, com o total fechamento da torneira de boia. Quando houver duas marcações para o nível operacional, ajustar a caixa no nível de alta pressão para a realização do ensaio nessa condição.